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Juiz do Trabalho doa 38 livros jurídicos à Fafram

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Obras entregues pelo Dr. Renato César Trevisani, poderão ser utilizadas por alunos do curso de Direito

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O juiz federal do Trabalho, Titular da Vara do Trabalho de Ituverava e professor universitário, Dr. Renato César Trevisani, doou 38 livros ao curso de Direito da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), instituição mantida pela Fundação Educacional de Ituverava.

As obras abrangem as áreas de Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Constitucional, Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho e Direito Financeiro, entre Códigos, Legislações e Doutrinas.

Em entrevista concedida à Tribuna de Ituverava, o juiz fala sobre a doação. “Os livros têm este poder: sempre contribuem, sempre auxiliam e podem definir a vida de muitos, o que se deu comigo. Sempre recomendei aos alunos fazerem dos livros confidentes, exercitarem a leitura com prazer, com hábito”, afirma.
“O aluno do curso de Direito deve ir interagindo todas as informações que recebe durante o curso. Assim, quanto mais diversificadas e mais estruturadas forem estas informações, melhor será a sua formação”, ressalta.

Essa não é a primeira vez que o juiz faz esse tipo de doação. “Já tive este prazer e oportunidade de doar outras obras para outras instituições, o que me deixa muito feliz diante do desiderato de todas elas. Na condição de professor e magistrado, sempre recebo livros tanto das editoras como do Tribunal, e assim que percebo duplicidade de edições, ou edições posteriores sem alterações consideráveis, fico muito à vontade em direcioná-las aos estudantes”, destaca.

“Como a gente costuma fazer com agasalhos, podemos fazer com livros. E a comunidade acadêmica da Fafram é formada, em sua maioria, por alunos da cidade e região que se desdobram para custear todas as despesas”, diz.

Leitura no Ensino Superior


Dr. Trevisani destaca a importância da leitura no Ensino Superior. “Ela é fundamental, tanto no campo individual, a título de enriquecimento cultural, como diante da vida acadêmica para que tenha sucesso nas provas e avaliações. Eu posso afirmar que é comum o estudante do curso de Direito mudar sua opção profissional ou área de atuação depois que passa a ter contato com leituras em áreas concentradas”, relata.

“Eu dou o exemplo daquele aluno que inicia o curso afirmando que vai se dedicar às carreiras jurídicas públicas, mediante concurso público: Magistratura, Ministério Público, Delegado de Polícia e outras. No transcorrer da graduação, depois de apresentado a uma determinada matéria e seu professor, em conjunto com as leituras que passa a fazer, muda radicalmente a sua opção. Geralmente, surge a alegação de que o Direito é uma ciência social muito bonita e ao mesmo tempo uma modalidade aberta às mais variadas interpretações e com base nisto afirma que decidiu e vai advogar”, explica.

Também é comum, de acordo com o juiz, o acadêmico já estar direcionado à advocacia, mas no decorrer do curso passa a ter admiração por um professor que ocupa uma vaga na Administração Pública em conjunto com o Magistério, condições suficientes e capazes de promoverem a mudança.

Paulo Freire
O juiz ainda cita um dos pensadores mais influentes e importantes do Brasil. “Sempre que falo em leitura devo fazer referência a Paulo Freire, educador pedagogo, além de filósofo brasileiro. O mundo reconhece Paulo Freire por sua atuação na pedagogia, aliás ele é o patrono da Educação Brasileira”, lembra.


“Sempre defendeu que o educando assimilaria o objeto de estudo fazendo uso de uma prática dialética com a realidade, em contraposição à por ele denominada educação bancária, tecnicista e alienante.

Ou seja, o educando criaria sua própria educação, fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído. Desta forma, libertando-se destes chavões alienantes, o educando seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado. Para que saibam, ele foi o brasileiro mais homenageado, com 29 títulos de Doutor Honoris Causa, além de diversos galardões, como o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz”, destaca.

Biografia de Paulo Freire

Paulo Freire (1921-1997) foi um educador brasileiro, criador do método inovador no ensino da alfabetização, para adultos, trabalhando com palavras geradas a partir da realidade dos alunos. Seu método foi levado para diversos países.

Paulo Freire nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Filho de Joaquim Temístocles Freire, capitão da Polícia Militar e de Edeltrudes Neves Freire, morou na cidade do Recife até 1931, quando foi morar no município vizinho de Jaboatão dos Guararapes, onde permaneceu durante dez anos.

Iniciou o curso ginasial no Colégio 14 de Julho, no centro do Recife. Com 13 anos perdeu seu pai e coube a sua mãe a responsabilidade de sustentar todos os quatro filhos. Sem condições de continuar pagando a escola, sua mãe pediu ajuda ao diretor de Colégio Oswaldo Cruz, que lhe concedeu matrícula gratuita e o transformou em auxiliar de disciplina, e posteriormente em professor de língua portuguesa.

Em 1943 ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Em 1944 se casou com Elza Maria Costa de Oliveira, professora primária, com quem teve cinco filhos. Depois de formado continuou como professor de português no Colégio Oswaldo Cruz e de Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco.

Em 1947 foi nomeado diretor do setor de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria. Em 1955, junto com outros educadores fundou, no Recife, o Instituto Capibaribe, uma escola inovadora que atraiu muitos intelectuais da época.

Obras de Paulo Freire

• Educação Como Prática da Liberdade (1967)
• Pedagogia do Oprimido (1968)
• Cartas à Guiné-Bissau (1975)
• Educação e Mudança (1981)
• Prática e Educação (1985)
• Por Uma Pedagogia da Pergunta (1985)
• Pedagogia da Esperança (1992)
• Professora Sim, Tia Não: Carta a
Quem Ousa Ensinar (1993)
• À Sombra Desta Mangueira (1995)
• Pedagogia da Autonomia (1997)

Alfabetização

Dr. Trevisani ainda lembra de outras importantes conquistas de Paulo Freire. “Quero registrar, também, que Paulo Freire foi de infância humilde e pobre, passou fome, talvez seja esta a sua razão para se preocupar com os pobres, o que incluía os seus ensinamentos. Dou sempre como exemplo o fato de que em 45 dias ele conseguiu alfabetizar 300 adultos no Estado Membro do Rio Grande do Norte”, lembra.

“E para a nossa alegria, ele também cursou Direito, além de Filosofia, mas sempre trabalhou como professor. Atuou em diversos países além de ter sido convidado por muitos administradores para se ativar na Administração Pública, como educador, tendo destaque pela sua atuação como professor em Harvard”, ressalta.

Hoje existe o Instituto Paulo Freire, com os arquivos de educador, com as suas ideias e legado. “Ele dizia que não existe tal coisa como um processo de educação neutra. Educação ou funciona como um instrumento que é usado para facilitar a integração das gerações na lógica do atual sistema e trazer conformidade com ele, ou ela se torna a ‘prática da liberdade’, o meio pelo qual homens e mulheres lidam de forma crítica com a realidade e descobrem como participar na transformação do seu mundo”, finaliza o juiz.

Renato César Trevizani

É Juiz Federal do Trabalho – graduado pela Faculdade de Direito de Franca/SP – Mestre em Direito pela UNESP-Franca/SP – Doutor pela PUC/SP – Professor da UNESP-Franca/SP – Professor da FVG/MBA – Professor da Universidade de Ribeirão Preto/SP – Professor da ESAOAB/SP, e Professor da FEI – Ituverava/SP.

Fonte: Tribuna de Ituverava

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